Archive for the 'Life' Category

Foi isto.

Monday, September 26th, 2011

«Perto dos 70 anos, no fim de um Verão em que Portugal deu de si um espectáculo triste, é a altura de perguntar o que a minha geração, que chegou à idade adulta com o “25 de Abril”, fez da famosa liberdade tão esperada durante Salazar e Caetano. Para começar, e de acordo com alguns militares sem letras, tentou tudo para a suprimir. Com poucas excepções assistiu calada, ou mesmo se juntou, à louca procissão do PREC, em nome de uma doutrina que não percebia e de uma sociedade em que nunca aceitaria viver. Esta demissão e esta vergonha ficaram para sempre. A ausência do que tinha sido o movimento estudantil entre 1960 e 1974 no Governo e nos partidos entregou o poder a uma série de arrivistas, que não o tornaram a largar. Quem se perdera pelo grotesco labirinto da esquerda bem pensante por uns tempos desapareceu. O “cavaquismo”, aliás, dispensava um pessoal democrático e até a política. Um vago resto do PS sobrevivia (bastante mal) à volta de Soares, que se conseguira eleger Presidente da República, e o que sobrava, disperso e desmoralizado, caíra numa absoluta irrelevância. Muita gente (de esquerda e de direita) emigrou, às vezes definitivamente, para a vida privada ou para a máxima sinecura da “Europa”. O “novo” Portugal acabou por nascer e crescer à revelia da minha geração: no Estado, nos partidos, na sociedade. Não era o Portugal que tínhamos querido, nem sequer um Portugal de que pudéssemos gostar. A “história” passara por nós, confusamente, deixando uma prosperidade duvidosa e uma desordem íntima e eufórica, que nos repelia e a que, de qualquer maneira, não pertencíamos. O que veio a seguir – Guterres, Barroso, Santana – não melhorou as coisas. Fora dos partidos não havia nada e ninguém aos 50 ou 60 anos se iria meter na guerra sectária em que eles se gastavam. A posição “decente”, e quase unânime, estava em não se meter nessa trapalhada, fosse sob que pretexto fosse. Até porque, no intervalo, uma invasão de oportunistas, com mais força e muitíssimo mais zelo, tapava a boca e o caminho ao mínimo sinal de responsabilidade ou de inteligência. O regime de Sócrates não emergiu por acaso; emergiu desta terra já bem preparada para a corrupção e o arbítrio. Nessa altura, a minha geração só servia para propósitos decorativos. Via e lamentava o desastre que se ia preparando. Mas raramente lhe ocorreu que ela própria também era culpada.»

Vasco Pulido Valente, Público.

Leituras

Monday, June 13th, 2011

Decidi arranjar mais tempo para ficar offline e consegui acabar de ler o The Big Bang do Simon Singh e O Desertor do Daniel Silva. O livro que se segue: The Amazing Adventures of Kavalier & Clay (Michael Chabon) e em audiobook tenho o The Lazarus Volt, do Tom Harper.

The Way Back

Sunday, May 1st, 2011

Acabadinho de ver, The Way Back, o último do Peter Weir. Recomendo. Faz-me lembrar o Rescue Dawn, do mestre Herzog. Se houver tempo, há crítica para breve.

Alexandre Soares dos Santos

Friday, April 8th, 2011

Ainda os ha’. Alexandre Soares dos Santos em entrevista na SIC noticias.

E quem nos salva deste gajo?

Thursday, April 7th, 2011


Aqui mostro a evolução da capacidade/necessidade de financiamento dos particulares e da administração pública. A soma das duas representa a necessidade ou capacidade do país em termos de recurso a financiamento externo. É notório que os particulares já fizeram o seu ajustamento. Desde o final de 2009 que revelam capacidade de financiamento. Já a administração pública aumentou a sua necessidade de financimento, agravando-se de forma notória nos últimos dois anos. Podemos concluir que o défice externo actual se deve essencialmente à forma irresponsável como as contas públicas têm sido geridas nos últimos anos.

Necessidades de financiamento da economia portuguesa, via Capital Humano.

9 anos

Friday, February 11th, 2011

A notícia de que uma uma idosa esteve 9 anos em casa, morta, no chão da cozinha, sem ninguém ter notado a sua falta, deixou-me chocado. Ninguém deu pela sua falta, incluindo familiares, e uma pobre vizinha andou todos estes anos a alertar as autoridades para que a encontrassem e nunca, uma vez que fosse sequer, entraram em casa dela para averiguar o que se passava. Acabou por ser o Fisco a arrombar a porta a fim de executar uma dívida fiscal. Tenho pouco a dizer para além do que escreveu Daniel Oliveira:

O que impressiona, para além da solidão que permite que alguém morra sem que ninguém dê por nada, é que o mesmo Estado que dá pelo não pagamento de uma dívida ao fisco não dê, não queira dar, pelo desaparecimento de um ser humano. Que o contribuinte exista, mas o cidadão não. Que quem tinha a obrigação de pagar impostos tenha deixado de existir nos seus direitos. A metáfora é macabra. Mas é poderosa. Este Estado que não se esquece – não se deve esquecer – de nós quando é cobrador, mas para quem não existimos quando nos é devida alguma atenção.

Diz-se que só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos. Parece que para o Estado português só a segunda parte é verdadeira.

Portugal, como país, envergonha-me.

Sempre os números

Thursday, January 27th, 2011

Via A Origem das Espécies:

Os ressentidos e sapos com óculos que andaram a fazer contas durante toda esta semana acerca de como Cavaco ganhou mas não ganhou, ainda não comentaram o dado essencial: há «1,25 milhões de portugueses de eleitores-fantasma no País»: «São falecidos que ainda não foram eliminados nas listas das freguesias ou emigrantes que mantêm o local de voto em Portugal apesar de se encontrarem no estrangeiro.» A contabilidade do embuste praticado pelo Ministério da Administração Interna foi desmascarada tendo em conta os número do próprio INE. Parece, assim, que a abstenção passou para 46%. É o hábito de falsificar estatísticas.

Time Machine and NAS Hacks

Tuesday, January 18th, 2011

Just found out that my Time Machine SparseBundle is corrupt. I thought that it would be cool to save some money and hack Time Machine to enable backups to a Network Share on my home NAS instead of buying Time Capsule. It worked perfectly for a month or so, but I’ve done some changes on my home network and a couple of abrupt disconnects caused major havoc on it and eventually that was the cause of the corruption. Just found this info on this thread:

The technical reason why Apple limits Time Machine to 10.5 AFP volumes appears to be to prevent disk image corruption. There were additional features added to AFP in 10.5 to support Time Machine. These presumably allow the disk image engine to force disk image journal data to write out all the way to the disk. Without such features, a network interruption can result in a corrupted filesystem on the disk image despite journaling. Remember, journaling relies on the journal being written all the way to disk before the changes take place. If you can’t guarantee that (e.g., because of network/NAS buffering) then the journal is useless. Time Machine appears to rely heavily on disk journaling to deal with network drop-outs, interrupted backups, and the like. Take this away and your data is at risk.

If the NAS you are using supports these features it should report them to the OS and you should natively be able to choose that volume. If you have to trick the OS to use the volume it means the NAS does not support it.

To summarize: if you care about your backup data you should avoid using non-natively supported AFP servers.

I would be interested to know if somebody got it right with non-AFP 10.5 NAS (ie, Samba or NFS hack). I am now using a local attached USB disk.

Fábrica de desemprego

Wednesday, November 24th, 2010

Leitura do dia:

II. O sindicalismo português, representado pela GCTP e pela UGT, está perdido no tempo. A CGTP e a UGT são forças reaccionárias que impedem a adaptação de Portugal ao século XXI. Um exemplo: se os trabalhadores da Auto-Europa tivessem seguido as indicações dos sindicatos, a empresa já não estava cá. Felizmente, a comissão de trabalhadores da Auto-Europa negociou regras de flexibilidade que aumentaram a produtividade da empresa. Resultado: para o ano, os trabalhadores da Auto-Europa vão ter um aumento de 4%. Se os sindicatos tivessem impedido as mudanças “neoliberais” na Auto-Europa, os milhares de trabalhadores da fábrica estariam agora na rua a protestar contra o “neoliberalismo”. A UGT e a CGTP são fábrica de desemprego.

A CGTP é uma fábrica de desemprego.

Os Overheads

Thursday, November 11th, 2010

Leitura recomendada:

No início da década, conheci uma empresa pública que competia no seu ramo de actividade com várias empresas privadas. Nesses tempos, a líder do sector, privada, tinha uma estrutura central com cerca de 20 pessoas, directores, administrativos, secretárias e tudo o resto incluído. Na empresa pública só directores eram os mesmos 20. A situação foi muito bem descrita por um consultor que por lá passou: ‘Nunca vi tão pouca empresa para tantos overheads’.
No organigrama, descrito no seu próprio relatório anual, via-se um departamento de apoio psicológico para ajudar os trabalhadores stressados a ultrapassar os maus momentos e uma direcção de responsabilidade social. Apesar da simplicidade operativa própria do sector de actividade, tinham dividido as operações em três direcções independentes. Apesar de trabalharem exclusivamente no mercado nacional, tinham um responsável pelas relações internacionais. Ao todo eram duas dezenas de directores, duas dezenas de carros, duas dezenas de gabinetes em zona nobre da cidade, duas dezenas de cartões de crédito e mais uma dúzia de secretárias – modestamente, repartiam-nas.

Os Overheads

O livro que se segue

Saturday, October 30th, 2010

Big Bang (Simon Singh).

Secret Lives of Great Artists

Tuesday, October 12th, 2010

Tenho o hábito de comprar livros quando estou em passagem por aeroportos, sobretudo quando sei que vou passar longas horas a voar e é quase certo que dormir a 10.000 metros de altitude é coisa que raramente faço. Junho de 2010, estava no aeroporto de S. Francisco prontinho para regressar a Cork via Londres após uma semana de trabalho. Depois de ter comido uma pizza ao lado de uma família que se entretia com Fast Sushi enquanto aguardava o regresso a Hong Kong, comecei a pensar nas lindas e longas 10 horas de voo, dos filmes todos que poderia ver no voo mas que já tinha visto, das conversas de ocasião com o vizinho do assento do lado e comecei a assustar-me. Deixa-me mas é comprar um livro para me entreter que isto não vai ser fácil. Reparei na loja do SFMOMA (S. Francisco Museum of Modern Art), que recomendo vivamente. Tem T-shirts fantásticas, artigos de escritório originais, bijuteria, tralha vária, cadeiras, acessórios, coisas para putos, postais e claro, livros. Da pilha que vi, decidi-me pelo Secret Lives of Great Artists, Elizabeth Lunday.

Sempre tive curiosidade em saber se o grau de pancada dos artistas é algo que já vem de trás no código genético ou uma idéia de marketing para enganar gajos como eu que gastam 16.95 dólares em livros destes. Pois bem, é verdade, a pancada é verídica e neste livro é contada com pormenores sórdidos e momentos rocambolescos. A vida de artista não é fácil. Aqui fica uma selecção em estilo almanaque (traduzido daqui e pronta a mastigar):

- Michelangelo cheirava tão mal que os seus assistantes recusavam-se a trabalhar para ele.
- Pablo Picasso cumpriu pena de prisão por ter roubado diversas estátuas do Museu do Louvre.
- O animal de estimação favorito de Gabriel Dante Rossetti era um Wombat que dormia na mesa de jantar.
- Vicent van Gogh por vezes comia as próprias tintas que usava para pintar.
- Georgia O’Keeffe gostava de pintar nua
- Salvador Dali concebeu um perfume à base de esterco para atrair a atenção da sua futura mulher.

Isto é tudo verdade (a sério, vejam a bibliografia) e no meio de tanta loucura há verdadeiras histórias de arte que são muito interessantes. De Jan Van Eyck a Andy Warhol, há toneladas de páginas para devorar. Recomendo vivamente. E ainda deu para dormir uma horita ou duas antes de aterrar.