O monopólio do exibicionismo
May 30th, 2008Já vou tarde para a reportagem da SIC em torno dessa coisa dos blogs. Poderia estar aqui a dizer muita coisa, mas para evitar a redundância, aponto um artigo que diz tudo o que interessa e muito bem. No Bitaites. Deixo uns teasers:
O que ainda não consigo perceber é se a perspectiva deste debate se deve à ignorância, ao sensacionalismo ou ao medo de perder a hegemonia da comunicação, ou seja, dito de uma forma que todos possam compreender: medo de ficar sem o guito.
À medida que as pessoas vão descobrindo a Internet, vão passando menos horas diante do televisor – se é esse o caso, medo do Bicho Papão e de perder o guito, então este debate esteve ao nível das tácticas FUD (Fear, uncertainty and doubt, Medo, incerteza e dúvida) usadas em primeiro lugar pela IBM para abater a competição da recém-criada Amdahl Corp e, mais tarde, copiadas com sucesso pela Microsoft.
Ao invocar as palavras de quem de facto entende o que se está a falar, chego à conclusão que qualquer irritação é inútil, uma perda de tempo – excepto no caso de Moita Flores.
O homem tem o notável talento de dizer lugares-comuns com a mais absoluta das convicções. E esta é uma qualidade óptima para quem quer aparecer em televisão, como qualquer político sabe. E ele também é político. Ele é tudo e mais alguma coisa. Ser ou não ser, para Moita Flores, não é questão que se coloque. Um especialista em banalidades tem convicções sobre o caso Maddie, a polícia, os ladrões, o mar e o campo, o céu e a terra, os santos e os terroristas, as mensagens instantâneas e as comunicações encriptadas, os blogues, a Internet, o que se quiser. Acho que seria até capaz de dissertar sobre a psicologia da torneira da minha casa de banho, se isso implicasse um debate público. Obviamente, não precisava sequer de a usar. Quem viu uma torneira, viu todas.
Dizer que «a exposição pública da vida privada na Internet» (referindo-se às pitas do Hi5, as menores e as que já têm idade para ter juízo) «é uma enorme demonstração de solidão» e que «quanto maior a exposição, maior a solidão» é sem dúvida uma frase sonante. Fica no ouvido como um refrão dos Tokyo Hotel ou do Vítor Espadinha. Se Moita Flores não fosse Moita Flores, o que mesmo para ele é difícil, teria imediatamente entendido que na grande maioria dos casos não se trata de uma questão de solidão, mas sobretudo de exibicionismo.
May 30th, 2008 at 3:38 pm
[...] Von Freud – O monopólio do exibicionismo [...]
May 31st, 2008 at 4:31 pm
[...] – Internet – OS PERIGOS DA INTERNET E OS DA IGNORÂNCIA DE MOITA FLORES – SIC PATROCINA A CENSURA – O monopólio do exibicionismo – “não mãe, o meu blog não tem cenas terroristas, nem fotos minhas em bikini…” [...]