Flickrvision
Tuesday, May 15th, 2007Feeling bored? Try Flickrvision. Rockz totally.
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O Pedro:
1. O PS, pelo menos o de Portugal, desde que Sócrates assumiu o comando das tropas que é tão social democrata como o PSD. Em termos ideológicos, neste momento, são farinha do mesmo saco. Em termos práticos, são partidos do sistema, ou statuos quo, ou do grande centrão e que se alternam no poder (com maiorias absolutas ou não) desde longa data. Confesso que o PS tem uma melhor capacidade de me extorquir dinheiro em forma de impostos do que o PSD. E não falo da eficácia da máquina fiscal. Falo dessa eterna preocupação em arranjar pretextos para o Estado meter o bedelho onde não é chamado. Nada que o PSD não fizesse ou não o queira fazer. Essa de militar no PSD e ser um cristão-novo tem a sua piada. Se é coisa que nunca fiz foi prostar-me perante Meca e sabes bem que prefiro um bom decote de uma católica praticante a qualquer burka das mil e uma noites.
2. Então? A tua costela socialista veio ao de cima? Agora andas a defender a social-democracia? Não tarda nada ainda começas a gostar do Pacheco Pereira. Eu deixei de acreditar no reformismo da social-democracia (ou socialismo) desde que o Vangelis era tema de abertura das campanhas de Guterres. E isto nos anos 90.
Schh. Just don’t tell anyone that Joost is accepting invites from GigaOM readers.

Letizia Ortiz, Espanha.
A imprensa portuguesa, com elevada frequência, apresenta os ‘jovens’ como se estes fossem uma categoria sociológica monolítica, portadores de um pensamento único que se formaria como que por osmose. Nessa linha de raciocínio, os ‘jovens’ foram apresentados como sendo contra ‘Sarkozy’, inimigo do emprego seguro e nobre representante do patronato. Já aqui o havia indicado, mas no Abrupto confirmo, em números, aquilo que era bem visível para quem tenha acompanhado minimamente o processo eleitoral francês: os ‘jovens’ entre os 25 e os 34 anos (os que têm partilhado das dificuldades de acesso ao emprego e residem muitas vezes nas periferias inseguras) estiveram maioritariamente (57%), com Sarkozy.
Via Blue Longe.
E a continuar com os Marretas, este é um dos melhores combates de bateristas de sempre, Animal vs Buddy Rich.
When Tarantino meets Jim Henson.
Ainda sobre o 1º de Maio, as palavras de José Adelino Maltez:
A embriaguez discursiva dos aproveitadores das velhas lutas de classes não permitiu que vislumbrássemos a novidade de ontem, o primeiro desfile das vítimas da novíssima questão social, em torno do chamado desfile do chamado “May Day”, esses novos marginais da globalização, da europeização e do chamado desenvolvimento situacionista e que, sem ser por acaso, integra quase todos os meus filhos. Porque esses são a efectiva realidade deste pretenso paraíso que, sem qualquer espécie de solidariedade, lança no desemprego essa nova forma de escravatura doce.
A sociedade que estamos a gerar, para garantir os pretensos direitos adquiridos de cerca de dois terços de instalados, lança as novas gerações no precário da falta de esperança. E porque os privilegiados têm o monopólio da palavra e do reformismo, continuam a música celestial das reformas do sistema de ensino e da luta pela qualificação, pensando que todos os jovens têm que ter o futuro dos “jotas” da partidocracia, dos sete aos setenta anos, que eles empregam como assessores e adjuntos, através da velha encomendação neofeudal da cunhocracia e do clientelismo, sem vergonha.
O desfile de ontem, dessa nova esperança dos desesperados, foi um grito de revolta que veio pôr em causa o meu papel de pai e de professor e explicar a razão pela qual nenhum dos meus filhos e a esmagadora maioria dos meus alunos não quer ter partido. Por isso é que não quero perder a minha palavra com esses novos sacerdotes do situacionismo que gastam o respectivo latim em interpretações comemorativas do 1 de Maio, do 5 de Outubro, do 28 de Maio ou do 25 de Abril. Para quem foi licenciado por um sistema de ensino que agora brinca às gagas bolonhesas, esses delírios funerários apenas representam velharias dos que, perdendo as ideologias do “bacalhau a pataco” e dos “amanhãs que cantam”, estão, pura e simplesmente, a abdicar daquelas “saudades do futuro” que hoje já são um escandaloso presente.
Ontem, foram apenas algumas centenas contra o precariado, amanhã serão milhões. Eles sabem o que significam palavras como “call center”, estágios, bolsas, recibos verdes e contratos a prazo. Sabem que não podem constituir família, ou comprar casa, mas até pagam imposto. Felizmente que o ATTAC e o FERVE lhes deram voz tribunícia, contra os mafiosos da cunhocracia e da partidocracia dos “jotas”, que os instrumentalizam…
Baptista-Bastos, no DN (Socialismo da Delação):
Barreto e Joana Pontes têm-nos fornecido, através da RTP, amplos motivos de reflexão sobre o íntimo destino de um estranhíssimo povo, mais propenso a caucionar o arbitrário e a admitir, resignado, o tirano, do que a fazer de cada momento da sua história um marco de consciência cívica. Quando um governo “socialista” promove a delação como conduta, e consubstancia a infâmia num folheto sórdido, tal acontece porque ainda nos encontramos moralmente enfermos. Logo após Abril, os números do aviltamento sobressaltaram os espíritos mais cândidos: quatro milhões de portugueses com ficha na PIDE, e cerca de quatrocentos mil informadores. Agora, na Socratolândia, propõe-se a setecentas mil pessoas que delatem, sugerindo-lhes que praticam uma acção moralizante quando se trata de procedimento desonroso. Este Governo, incapaz de cortar cerce a raiz da corrupção, avilta-nos a todos, ao acirrar à denúncia. E, ao incorrer no crime de corrupção moral, coloca-se na zona da delinquência que propugna punir.
Hoje é dia de não fazer nada.