Já nem me lembrava da última vez que tinha ido ao cinema, mas esta noite, para saírmos da rotina de pais fomos ver o United 93 a Leiria. Sessão das 21h45, esgotada. Ok, no problem, pode ser a sessão das 0h00. Quando escolhia as cadeiras, reparei que metade do cinema já estava preenchido. Estranho, para uma sessão tão tardia. Mas lá compramos os bilhetes e fomos jantar. Escolhemos o United 93. Como alternativa tínhamos o novo Super-Homem que anda por aí mas que só prometia o fogo de artifício do costume. Já tinha lido alguma crítica no IMDB sobre o United 93 e estava curioso. É impressionante, mas o filme é exactamente como o descrevem. A princípio desconfiava que o que se passou no voo 93 da United Airlines no dia 11 de Setembro de 2001 fosse aproveitado para mais um filme blockbuster, com os heróis do costume, a xaropada oportunista de Hollywood sobre uma verdadeira tragédia americana. Mas logo de imediato pudemos notar que este filme era diferente. O que mais me impressiona no United 93 é a sua simplicidade. A realidade nua e crua, filmada de maneira directa, em tempo real, desde o momento que o avião levanta vôo, passando pelas cenas de confusão geral nas torres de controlo aéreo, a inépcia do sistema de defesa militar, o ar de espanto de toda a gente quando viram os primeiros embates no World Trade Center, os passageiros do United 93 em estado de choque e sem perceberem o que lhes estava a acontecer e a consequente aproximação a Washington. Não há efeitos especiais, não há terroristas com kalashnikovs de ar alucinado, não há teorias da conspiração, não há polícias maus, nem polícias bons, não há patriotismo serôdio, apenas há, isso sim, pessoas normais que nesse dia tiveram o azar de ir naquele avião e que habitualmente teriam mais um dia comum nas suas vidas. É curioso ir ver um filme em que se sabe como vai acabar. É curioso e estranho. Se calhar é por isso que muita gente opta por ir vê-lo. O final não é surpreendente, nem empolgante, nem decepcionante. É extremamente perturbador. Pela sua frieza. Pelo seu realismo. O que mais me impressionou foi o silêncio que se fez na sala logo após o fim. Ninguém sorriu, ninguém apupou, ninguém chorou. Apenas… silêncio. Recomendo.